domingo, 28 de junho de 2009

Teto claro

Um dia desses me veio a certeza. Lá estava eu, dentro do que eu menos suspeitava. Tinha certeza de que estava ali, mais não sabia até que ponto isso poderia ser bom ou mau – de todo modo, tudo ficou ainda pior quando as lembranças espalhadas pelo quarto começaram a aparecer. E não falo de fotografias ou cartas, falo das coisas inatingíveis.
Naquele dia, todas as coisas, desde que abri os olhos e vi o teto claro sobre minha cabeça, me incomodaram. Aquele amontoado de coisas me fazia louca, porque até então, todo o meu trajeto só servira pra ratificar como eu-era-indepentende-e-não-precisava-de-ninguém, o que na prática, é claro, não se fazia verdade.
Sempre juntei toda ausência e, por vezes, até me amiguei com ela – talvez na esperança de que ela fosse menos cruel comigo em algum momento.
Com o tempo, me descobri não como a-independente-que-não-precisa-de-ninguém, mais sim como a frágil-que-precisa-de-alguém. Não foi difícil aceitar – a corda aperta o nó é no momento de entender. Logo eu, que sempre vivi de fotografias e não sofria nem um pouco por saber que daqui a um tempo estaria naqueles mesmos lugares, olhando aquelas mesmas fotografias. Mais o que me doía agora era maior, talvez um passado próximo.
Não entendia como eu, sempre tão precoce e coerente nas decisões, sempre tão certa das coisas que fazia, poderia estar daquele jeito, naquele quarto, sob o teto claro. Talvez toda essa inversão dos acontecimentos só me levasse a uma conclusão, o melhor a ser feito agora era o improvável, sim. Chorar, um choro sem sentido. Choro que quem só quer chorar, por não estar sendo visto. Um Choro que outrora fora dispensado, por ser coisa de fracos, agora acolhia a mim, uma Forte, com braços de mãe.

domingo, 21 de junho de 2009

Abra a boca...

E feche os olhos...

sábado, 20 de junho de 2009

Time to go

Despedidas são sempre tristes, ainda mais quando não depende só dagente... Falamos besteiras, sofremos, soluçamos de tanto chorar, mas, quando a gente se convence de que não há mais solução, passa. E passou.
Passou graças a mim e, toda vez que penso no que aconteceu, enxergo como ainda sou boba. Mais aos 16 anos temos esse tipo de direito.
Apesar de ter superado tudo por méritos e métodos absolutamente meus, sei que sou do tipo que, no fundo, gosta da dor e prolonga as despedidas, só pra sofrer um pouquinho mais. Mas, o que fazer quando o adeus não vem de você? Quando o seu lado masoquista nem ousa falar mais alto? A raiva é uma boa saída, e ainda não conheço nada melhor do que isso pra esquecer o sofrimento.
É difícil, ainda mais quando vemos tantos anos de dedicação sendo jogados fora por alguém que talvez nem mereça tudo isso.
Uma coisa não há como negar, pra se ter um “adeus-completo”, é necessário que haja algum dano – seja ele moral ou material. Essa é a hora de descer do salto. Falar palavrão, querer dar lição de moral. São detalhes que, além de fundamentais, fazem um bem enorme na hora do sofrimento. E além do mais, estamos falando de uma história de amor que acabou por culpa dele, é claro. Saber que ele está – no mínimo – agoniado, alivia muito um coração sofredor.
Então vamos ser fortes, sabendo que amamos, sofremos, choramos, voltamos a ser felizes, e assim segue a vida. O que é muito fácil de dizer quando não estamos mais sofrendo por amor.